Lomografia


Dica da fotógrafa Eliziane

Reprodução Terra

Thiago Kaczuroski

 

Enquanto as empresas de equipamentos fotográficos batalham para ver quem lança câmeras com mais recursos, existe um grupo – cada vez mais crescente – que promove uma volta ao passado, fotografando com filme em câmeras que muitas vezes parecem de brinquedo: são os amantes da lomografia.

O nome da prática vem da empresa soviética de equipamentos eletrônicos LOMO. No início dos anos 90, dois amigos austríacos estavam em Praga de férias e, sem câmeras fotográficas, resolveram comprar duas máquinas baratas. O modelo escolhido foi a LC-A, da LOMO, que se tornou o símbolo da lomografia.

933965-7818-it2

De volta a Viena, os dois amigos, impressionados com o resultado das fotos – cores vivas, com ar de “antiguidade” e as famosas “vinhetas” (bordas escurecidas nos quatro cantos da foto) passaram a comprar e vender as câmeras lomo para os amigos. Estava fundada a Lomographic Society International.

Rapidamente a mania se espalhou por diversos lugares do mundo, inclusive o Brasil. As câmeras passaram a ser vendidas para os países ocidentais pela LSI. Câmeras antigas foram “ressuscitadas” por fotógrafos amadores e a Internet se tornou o principal meio de troca de informações sobre câmeras, técnicas de fotografia e revelação e claro, para expor as fotos.

933938-3928-ga

O grande diferencial das câmeras lomográficas é a baixa tecnologia. Corpo e lentes de plástico, poucos – ou nenhum – ajustes manuais e às vezes alguns “defeitos”, como vãos que permitem a entrada de luz, são alguns dos “charmes”.

Entre as câmeras favoritas dos lómógrafos estão modelos tanto da LOMO quanto de outras empresas. Entre as vendidas pela LSI, a LC-A é objeto de desejo de 9 entre 10 amantes da lomografia. A alta procura fez também com que seu preço fosse supervalorizado. Na loja da LSI, o pacote básico custa US$ 250. Já no eBay – maior site de leilão dos EUA, uma LC-A varia entre US$ 100 a US$ 200. No Brasil, a LC-A é artigo raro, disputado em site de leilão e fóruns. Seus valores normalmente ultrapassam a casa dos R$ 500 (preço equivalente a uma câmera compacta digital de alta definição).

Entre outros modelos oferecidos pela LSI estão a Fisheye (com lente olho de peixe, que dá um formato arredondado à imagem), a Smena, a ColorSplash (com flashs coloridos), as SuperSampler e Action Sampler (com 4 lentes, que criam uma interessante montagem de imagens na mesma foto) e as de médio formato Holga e Diana F, que usam filme de 120mm.

Outros modelos como as séries XA, Trip e Pen, da Olympus, câmeras da também soviética Zenit, compactas da Minolta, Yashica e Cosina, entre outras também estão entre as favoritas dos lomógrafos.

Lomógrafos brasileiros
O Brasil também tem sua Sociedade Lomográfica, que conta com um site (www.lomography.com.br) com dicas, artigos e perfis de fotógrafos. Larissa Ribeiro, uma das redatoras do site, conta que ele é aberto a contribuições. “Hoje em dia só temos três redatores, eu, o Julio França e Damião Santana. Quem quiser contribuir mais assiduamente, postando notícias, artigos ou fotos é só entrar em contato que adicionamos como redator”.

Ela conta que entre suas câmeras favoritas estão a Holga, a LC-A e a Diana. “Acho também a Olympus XA2 uma ótima câmera. É compacta e fácil de usar como a LC-A, tem resultados parecidos mas é bem mais barata, você compra aqui no Brasil mesmo, essa a LSI não vende. Recomendo a Holga pra quem não tem medo de experimentar e, principalmente, quem não tem medo de se frustrar e de errar mil vezes até acertar”.

Os lomógrafos brasileiros também se reúnem em fóruns (como no Orkut e no site de fotos Flickr) e no grupo de discussão LomoBR, que conta atualmente com mais de 300 membros.

Fotos profissionais
A fotógrafa Caroline Bittencourt costuma usar suas câmeras lomo inclusive para fins profissionais. “Eu acho que cada câmera/filme/filtro tem sua personalidade e busco harmonizar com o porquê da foto – quem, o que, e para quem estou fotografando…Por isso não vejo diferenças que poderiam limitar profissionalmente o uso da lomo”.

Dona dos modelos LC-A, Holga, Colorsplash, Supersampler, Action Sampler e uma Lubitel, Caroline já publicou em jornais e revistas fotos feitas com suas câmeras – como a do quadrinhista Rafael Grampá para a revista Época SP e da banda Kassin+2, publicada em vários veículos.

Mandamentos
A LSI tem uma série de “mandamentos” que não se levam muito a sério: 1. Leve a sua Lomo onde você for; 2. Fotografe durante todo o tempo, em qualquer hora, seja dia ou noite; 3. A lomografia não interfere na sua vida, ela é parte dela; 4. Aproxime-se o máximo que puder de seu objeto de desejo lomográfico; 5. Não pense; 6. Seja rápido; 7. Você não precisa saber antes o que fotografou…; 8. … nem depois; 9. Fotografe sem olhar no visor e por final, 10. Não se preocupe com as regras.

A intenção é experimentar, buscar novos ângulos para fotografar e aguardar o resultado das revelações.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s